Os neurodireitos visam proteger a privacidade mental diante de tecnologias capazes de decodificar as informações armazenadas em nossos cérebros. E o Chile é um dos países do mundo que já está tentando legislar sobre esse tipo de ação. O objetivo é proteger a privacidade mental das pessoas e o direito à identidade. Esses conceitos incluem a proteção dos pensamentos, dados médicos armazenados no cérebro dos usuários e até mesmo a sigilo dos procedimentos de transplante de órgãos. No Chile, a meta é integrar os neurodireitos à Constituição, após o neurocientista Rafael Yuste, da Universidade Columbia, ter trazido o tema à tona globalmente. Um dos pontos fortes dessa legislação é sua capacidade de antecipar tecnologias futuras e os riscos potenciais que elas acarretam. Uma das tecnologias atualmente em investigação envolve a conexão do cérebro a dispositivos externos, como próteses para pessoas que tiveram partes do corpo amputadas. Existem também tecnologias como o Facebook, que vendem serviços de tradução de palavras, do cérebro para o computador, sem a necessidade de verbalização. Existem também experimentos que incorporam informações ligadas à inteligência artificial. O laboratório de neurotecnologia do Facebook apresenta um protótipo capaz de ler algumas palavras em nossos pensamentos. Implementar isso globalmente é muito complexo, pois combina componentes científicos com outros debates ainda em andamento. Entre eles, estão a privacidade e a proteção de dados. O Chile ainda não possui uma lei de proteção de dados atualizada, já que a atual data de 1999. O importante é que tanto o Chile quanto outros países possuem regulamentações de proteção de dados e uma autoridade para aplicá-las.